Roteiro: Melissa Rosenberg, baseada no livro de Stephanie Meyer
Elenco
Kristen Stewart (Bella Swam)
Robert Pattinson (Edward Cullen)
Taylor Lautner (Jacob Black)
Basicamente, Lua Nova é uma temporada inteira de Malhação condensada em duas horas e somada com alguns monstros clássicos do cinema (vampiros, lobisomens e, o pior de todos, diálogos risíveis), além de dramalhão rasteiro suficiente para desativar o cérebro de uma pessoa.
Vocês já assistiram ao divertido Ele Não Está Tão Afim de Você? A protagonista de Lua Nova não. Seria algo como "se o seu namorado vampiro disse que vai se afastar para proteger você, ELE NÃO ESTÁ TÃO AFIM DE VOCÊ! Se o seu pretendente lobisomem disser que vai embora para a sua segurança, ELE NÃO ESTÁ TÃO AFIM DE VOCÊ!". E o filme é basicamente isso: a mina toma toco do chupador de sangue, depois do pulguento, fica se lamentando pelos cantos e então entra uma cena de ação com efeitos especiais pra justificar o orçamento.
Lua Nova não tem uma história. Se o sujeito for um arqueólogo, ele até consegue escavar algo ali - o estabelecimento dos lobisomens na narrativa, por exemplo. Mas simplesmente não há atenção nenhuma pra isso. O que acontece é Bella choramingando o tempo todo por um vampiro purpurinado (que fatalmente torce pro São Paulo). E acredite, quando estão juntos, a coisa é ainda pior. Caso a moça se atrase cinco minutos para um encontro, Edward dirá "esperar por você estes cinco minutos foi a coisa mais difícil que fiz em 100 anos". Se ela pede pra mudar de canal na TV, ele concorda e diz "você é tudo pra mim, farei o que você quiser, até assistir Hebe". Parece que todos os diálogos do filme são trechos de músicas sertanejas.
Então, como vocês devem imaginar, a película não flui muito bem. Aliás, ela não flui. Aliás, na verdade, ela é uma das melhores metáforas para aqueles congestionamentos bíblicos no trânsito de São Paulo - inclusive quero lançar aqui oficialmente a nova gíria, a ser usada em situações como "querida, sinto muito, vou chegar tarde, estou em um engarrafamento LUA NOVA aqui". E a tentativa de dinamizar a coisa tocando músicas de bandas conhecidas e deprês a cada cinco minutos só piora tudo. Sério, eles realmente imaginaram que uma trilha pra baixo e uma fotografia meio monocromática seria suficiente pra tornar o filme "profundo"? Vamos lá, que tal um pouco de consideração pela inteligência do público? Se bem que não dá pra esperar muito de uma obra onde, após a cena onde todos vêem o garoto Jacob se transformar num VIRA-LATAS VITAMINADO, a mocinha chega pra ele e pergunta "então, você é um lobisomem?". Pro caso de alguém confundir a transformação com alguma outra doença, tipo mononucleose ou gripe A.
Quanto ao elenco, não há muito o que dizer. Robert Pattinson limita-se a fazer beiço, cara de pidão e olhar pra baixo, um eterno torcedor do Fluminense esperando a glória que jamais virá. Taylor Lautner é praticamente um action figure, cujo trabalho é passar a projeção toda sem camiseta e sugar imediatamente qualquer carisma que a cena poderia, além de acreditar que PENDER PARA A DIREITA é um artifício dramático. Kristen Stewart é a mais pertinente, uma vez que faz cara de entediada o tempo todo, entendendo perfeitamente como o espectador se sente. A única que consegue eventualmente retirar a cena do limbo é Ashley Greene, que interpreta a empolgada Alice, irmã do Edward. Mas como isso tornaria o filme mais ALEGRE, ou seja, RUIM, a moça é escanteada durante boa parte do tempo.
Lua Nova só se beneficia em relação ao filme anterior, Crepúsculo, por contar com um diretor mais imaginativo. Aqui e ali Chris Weitz consegue fazer uns planos mais bacanas, umas sequências quase assistíveis (a da luta na Itália, por exemplo), uma ou outra idéia que não atinge o fundo do poço. Mas, no geral, é o mesmo dramalhão mexicano que seu antecessor, apoiado por uma mesma campanha de marketing extremamente eficiente. Sem falar na ode à castidade que permeia as duas películas.
Se bem que, parando pra analisar, a protagonista da série é disputada por um morcego e por um cachorro. No final das contas, isso não é ode à castidade. É zoofilia das brabas.
A guria lá foi de saia curta, coxas voluptosas à mostra, calcinha eventualmente dando as caras, disposta a seduzir, provocar, atiçar a imaginação, etc, não foi?
Pois ela conseguiu exatamente o que buscava: acabou fodida.
Qualquer hora dessas vou achar um jeito mais STÁILE de contar os anos. Talvez em gols decisivos, aqueles que fazem o cara tirar a camiseta do time e projetá-la alucinadamente contra o concreto do estádio diversas vezes, enquanto desfere todos os impropérios conhecidos pelo homem, e mais dois ou três inventados na hora. Ou então em shows de rock, que acabam nos tornando adolescentes outra vez e produzindo o que pode ser chamado de Efeito Crepúsculo: chegamos na fila horas antes do início, temos espasmos de alegria ao ver os astros, somos globalmente parciais na análise do evento e as pessoas menos aficcionadas suicidam-se de tédio porque só falamos sobre isso. Acredito que até algumas espinhas ROQUENROL devam surgir no decorrer do processo.
Outras idéias legais: marcar a passagem do tempo através dos livros lançados por Nick Hornby (nenhum conseguirá superar Febre de Bola. Entendo), sequências geniais nos filmes de David Fincher (a do quase atropelamento em O Curioso Caso de Benjamin Button; a do porão em Zodíaco; a câmera passeando por uma casa que tem O Quarto do Pânico; todo o Clube da Luta; etc) ou músicas estranhas que o Pearl Jam inventa de botar nos discos (se bem que o último não teve, já invalida a proposta). Fosse eu um sujeito mais dedicado à cultura, certamente colocaria as atualizações do Winning Eleven nessa lista.
Mas sou fraco. Eventualmente acabarei caindo em algum clichê bonito, como, por exemplo, contar os aniversários através das pessoas inesquecíveis que cruzam nosso caminho. E ficarei nele. Porque, na pior das hipóteses, seria um ótimo motivo pra tentar chegar até os 100 anos.
Histórias de faroeste tem me atraído tanto que resolvi escrever uma. Infelizmente, ainda não tenho conhecimento suficiente para construir aqueles míticos anti-heróis, que conseguiam ser ao mesmo tempo cativantes e perigosos. Para os bem-aventurados que quiserem se arriscar, o texto está lá no Imparciais.
Enquanto isso, vou assistir Os Indomáveis e O Assassinato de Jesse James, ir atrás de alguma prostituta com um vestido roxo brega e desafiar desconhecidos para duelos de revólver. Com licença.
Há um erro no título desse filme: as locações podem até ser internacionais, incluindo uma papagaiada sequência no museu Guggenheim, mas a trama é apenas banal.
O Sonho de Cassandra - 4/5
A boa dinâmica entre os protagonistas e a história tensa deixam o espectador bastante ACORDADO durante todo o filme. E é impressionante a calmaria dos momentos onde decisões monstruosas são tomadas, como se furacões fossem originados de ventiladores.
Duplicidade - 4/5
Pega vácuo na idéia de bandidos CHARMOSOS reconstruída por Steven Soderbergh e seus onze/doze/treze homens com segredos. No mais, a química entre Clive Owen e Julia Roberts é digna de um tubo de ensaio, os diálogos são afiados e a trama, ainda que meio absurda, desce como uma cerveja em um estádio de futebol. Nem a tentativa fracassada de fazer uma reviravoltazaça no final atrapalho o filme.
Tudo que Você Sempre quis Saber Sobre Sexo - 3/5
Alguns capítulos são mais excitantes do que outros, onde as tramas perdem um pouco o fôlego (mas não chegam a ser broxantes). No geral, Woody Allen mantém a brincadeira numa posição sempre agradável, e consegue com isso fazer um filme no mínimo gozado.
Intrigas de Estado - 5/5
Russel Crowe, disfarçado de Eddie Vedder e fantasiado de "estereótipo do jornalista", faz as coisas acontecerem nesta história tensa, frenética, conspiratória (e histórias de conspiração são SEMPRE legais), com uma reviravolta dispensável, e que tenta ser tão pertinente quando O Informante. E se Intrigas de Estado falha nesse último quesito, ao menos se mantém lúcido o suficiente para dar ao espectador algo no qual pensar. Além do mais, eles tem a Rachel McAdams.
Eu odeio tomar decisões. Pesa sempre aquela incerteza, aquele "e se" que desdobra centenas de milhares de possibilidades, cada uma totalmente possível, e de repente os critérios começam a falhar. Ou melhor, eles não são mais tão fortes. Porque tudo se dilui entre as promessas e ameaças das possibilidades.
Soma-se a isso o fato de que a minha cabeça simplesmente não desliga. Ela tenta antecipar cada passo, para que o futuro não bata tão forte. E envolve tudo e todos em volta, tentando fazer a coisa menos cruel com eles - quando o Winning Eleven roda no Playstation 2, e a raiva atinge DEFCON 1 (quem já jogou, sabe), ao invés de atirar o controle na parede eu sou "racional" o suficiente pra virar e jogar ele no sofá. No meio do furacão de violência, um sistema de alerta diz "na parede, vai tudo pro saco; no sofá, ele QUICA e volta ileso". É um exemplo meio idiota, eu sei, mas acho que ilustra bem o que acontece.
E aí surgiu a chance de tomar uma atitude extremamente simples e banal, e eu senti como se estivesse decidindo o mundo. Em parte porque eu tinha que considerar toda a minha bagagem na questão. Em parte, porque havia outra pessoa que seria afetada no processo.
Mas o que a minha cabeça teimosa não consegue entender é que, às vezes, ver o controle se espatifar na parede pode ser a melhor coisa a fazer. Dar uma de Tyler Durden. Ver o circo pegar fogo. Parar de tentar manter o status quo.
Enfim, não consigo aceitar a idéia de que algumas pessoas merecem se foder, e que está tudo bem se eu machucar elas pra manter um pouco da sanidade. Talvez lá no fundo eu esteja tentando ser o herói e tal. Sabia que assitir O Cavaleiro das Trevas com tanta frequência traria sequelas.
He can be the outcast. He can make the choice no one else can make. The right choice.
Plataformas: Playstation 2, Playstation 3, PSP, Nintendo Wii, X-Box, PC, enfim, tudo que tenha chip e tela.
Fabricante: Lucasarts
Qual é a do jogo: A trilogia absoluta do cinema é recriada em um mundo de Lego, onde o jogador assumirá o papel do destemido arqueólogo, resolvendo quebra-cabeças, aniquilando inimigos, pendurando-se com o chicote para atravessar desfiladeiros (top 5 coisas mais ducaralho que eu já fiz na VIDA), fugindo de bolas gigantescas, enfim, fará tudo que o Indy fez nos três filmes. E fará tudo isso com Deus junto, no formato de TRILHA SONORA.
Por que jogar: Ok. A certa altura do episódio "A Última Cruzada", fiz o Indy pegar uma moto e saí com ela empinada, detonando nazistas no caminho, enquanto tocava ao fundo a música-tema do personagem - mas, claro, não se ouvia ela direito, pois eu estava de pé, correndo em volta da sala, cantando a a trilha sonora a plenos pulmões com a boca enquanto despejava adrenalina na forma de lágrimas. Ao final, tudo que eu conseguia fazer era gritar "EU NÃO MEREÇO! EU NÃO MEREÇO!". O jogo é mais ou menos isso durante horas a fio.
Por que não jogar: Se por acaso você fez um pacto com o diabo, e a cada vez que se diverte uma parte do seu corpo explode, então... não, mesmo assim vale a pena jogar.
Avaliação Final: Lego Indiana Jones é uma prova irrefutável da existência de Deus.
Jogada de mestre essa da Playboy em botar na capa a Fernanda Young. Subverte tudo que se vinha fazendo até aqui (pelo que lembro, as últimas capas foram ex-BBBs e mulheres com apelidos de comida), gera buzz, cria polêmica em torno da edição ("não acredito que vão botar a Fernanda Young na Playboy. Preciso twittar/blogar/comentar sobre isso"), desnuda uma pessoa "de conteúdo" (a moça é roteirista e escritora, e o simples fato de dividir o sobrenome com Neil Young já a torna mais esperta do que a média geral das capas), cria uma imagem de revista que valoriza outros atributos femininos além da estética, repete aquela campanha da Dove pela "real beleza" e, todos sabemos, graças a certos softwares a moça nunca vai sair feia na revista.
Graças a um processo viral bastante murrinha, nas duas últimas semanas tive a oportunidade de assistir diversos episódios de diferentes seriados americanos. Como o advento (sempre quis usar essa palavra num post) tornou bem mais fácil e prático o contato com essas séries, e muita gente as baixa da internet, resolvi colocar no Cataclisma minhas impressões sobre as que estou assistindo. Assim, as centenas de milhares de leitores do blog têm em mãos uma triagem e podem escolher melhor o que vão assistir. Ou não.
Smallville
São nove temporadas, estou no meio da terceira. Nunca fui muito fã do Super-Homem, sei lá, ele é politicamente correto demais, e seus inimigos vivem encontrando kryptonita em tudo que é canto. A primeira temporada é bem esquemática (pessoa afetada pela chuva de meteoros ganha superpoderes e quer se vingar de alguém que o Clark conhece), mas eu gostava do fato dos episódios serem independentes - pelo menos até o último, que simplesmente NÃO TERMINA e deixa a conclusão pra segunda temporada. Menos mal que nos episódios seguintes o formulismo é normalmente deixado de lado, e algumas tramas ficam realmente interessantes, embora todo mundo encontre kryptonita em todo canto e a toda hora.
How I Met Your Mother
Basicamente, How I Met Your Mother é um flashbackzão constante. E se beneficia disso, pois eventualmente adota estruturas não convencionais, como ações paralelas passadas em épocas diferentes, além de contar com uma narração em off e utilizar uma pá de efeitos de edição (quadros congelados, imagem acelerada, tela divida, entre outras guyritcheadas). A dinâmica entre as personagens masculinas é engraçada e eficiente, mas perde força toda vez que o elenco feminimo entra em cena. Sim, pra variar, as mulheres fazem o que sabem fazer melhor: mudam o comportamento dos homens.
The Big Bang Theory
É um seriado que tenta mostrar como os nerds são gente supimpa. Funcionou bem nas duas primeiras temporadas, quando a Penny, a vizinha gostosa, interferia no esquema dos caras e eles aceitavam só porque... bem, porque ela era gostosa. Entretanto, na terceira e atual temporada, o grupo é sempre dividido em duas ou mais tramas separadas, o que acaba resultando em apenas uma história legal. A outra parece um contra-ataque puxado por Tcheco, Schiavi e Palermo, de tão arrastada que é.
House
Eu via alguns episódios esporádicos, a sexta e atual temporada é a única que acompanho religiosamente. O grande mote da série continua a SEMNOÇÃOZICE do protagonista, praticamente uma metralhadora de frases de efeito (ou "frases pra botar no msn", pra geração mais nova). A atual leva de episódios até começou diferente, mas já se adaptou novamente ao esquema clássico (pessoa doente -> diagnósticos falsos -> tomografia -> diagnóstico quase verdadeiro mostrando que não há saída -> House tem uma epifania causada por uma palavra dita por alguém -> solução). Mas não é que, mesmo esquematizada, essa desgraça ainda funciona e bem?
Flash Forward
O PLOT do seriado é muito bacana, se liguem só: durante dois minutos e dezessete segundos, todas as pessoas do mundo sofrem um apagão e vêem a própria vida seis meses no futuro. É impressionante, então, como em cima de um argumento interessante desses os caras façam episódios dolorosamente chatos. Não há absolutamente nada que chame a atenção ali, a não ser pistas esparsas sobre o tal apagão. Pra ser justo, teve também um tiroteio bacana ao som de Like a Rolling Stone, mas é só. Pra um seriado chamado FLASH FORWARD, ele se arrasta de forma ironicamente bem lenta.
Fui tirar sangue, hoje. Leiam em voz alta: "tirar sangue". Ou seja, eu entrei em um estabelecimento e paguei para que alguém, com um objeto afiado, rasgasse a minha pele, furasse a veia e retirasse, de lá, dois tubinhos do precioso líquido da vida. Foi como se eu entrasse em um covil de vampiros (os de verdade, não aqueles estudantes de Direito da série Crepúsculo) com os pulsos cortados e creme de cereja por cima deles, gritando "quero ver quem aqui é homem suficiente pra sugar meu sangue, bando de sãopaulinos".
E ainda por cima, quando o cara chega no lugar, ele tem a impressão de estar em um recinto decente - é tudo milimetricamente organizado, tranquilamente decorado, repugnantemente falso. Tem até um filtro de água! Tipo, "ok, nós vamos fazer você sangrar, mas ei, tome um copo de água por conta da casa". Além do mais, há um excesso de BRANQUICE assustador em todo canto. O chão é tão limpo que parece constituído por sorrisos de comerciais de creme dental. Muito estranho. Quando a fachada é organizada demais, é porque lá dentro coisas sujas acontecem.
Pra completar a cena, o cara que veio coletar sangue era simpático. Ele entendeu meu receio de agulhas. Raios, o sujeito até fez uma cara compreensiva quando eu perguntei se não podiam esperar até eu entrar em uma briga de bar e me machucar, para então coletar o sangue. Mas não: tal qual as atualizações do Windows, que ficam insistindo em reiniciar o computador depois, a carnificina precisa ser feita da forma mais dolorosa possível.
Não restou alternativa a não ser fechar os olhos na hora certa. E a tática adiantou, pois não doeu. Aliás, nem o algodãozinho que fica no braço depois incomodou. O que, claro, é bastante suspeito, mas ainda não descobri exatamente qual o plano deles. A única coisa ruim mesmo foi que ninguém me ofereceu um chocolate depois da coleta, como faziam quando eu era criança. Paciência.
Ao passar por uma loja de brinquedos no shopping, vi um piá completamente alucinado, pulando e gritando a plenos pulmões "o Homem-Aranha! o Homem-Aranha! o Homem-Aranha!", enquanto segurava nas mãos uma caixa cujo conteúdo, imagino, era um action figure BONEQUINHO do cabeça-de-teia. E comecei a sentir saudades de ser criança, de se empolgar com essas coisas, ficar em chamas por qualquer motivo "bobo", enxergar tudo como se fosse a primeira vez, e como se fosse algo especial.
Meus pensamentos foram interrompidos apenas algumas lojas à frente, quando fiz o maior esforço da história do universo pra não sair por aí completamente alucinado, pulando e gritando a plenos pulmões "TV de 60 polegadas! TV de 60 polegadas! TV de 60 polegadas!".
Quando a gente nasce, escolhem um nome pra nós, de acordo com a classe social ou algum outro critério bizarro (a soma dos nomes dos pais, por exemplo), e quando o cara cresce ele até pode mudar de nome, mas não pode mudar pra, digamos, Capitão Marvel, pois é socialmente UNCOOL (e também porque levaria um processo da DC Comics no rabo). Depois escolhem uma religião, e uma pessoa até pode mudar de religião quando mais velha, mas terá que se contentar entre uma das opções disponíveis ou não ter religião. Ela não pode, por exemplo, acreditar que Deus desce à Terra de vez em quando pra jogar 3 dentro e 3 fora ou que as pessoas literalmente viram estrelas quando se vão.
Então vem a escola, onde o aluno TEM que passar de ano, todos os anos. A gurizada não pode decidir que vai aprender o conteúdo e, por algum motivo obscuro, repetir a série. Não, isso é palha. E, claro, tem que escolher um grupo no qual irá se encaixar, e se adaptar a esse grupo, pois até mesmo não ter um grupo já virou um grupo. A idéia de alunos simplesmente coexistindo está fora de cogitação.
Já no final do colégio chegam dezenas de materiais relacionados à orientação vocacional, uma vez que todos precisamos escolher uma faculdade (uma entre as opções apresentadas e "aceitas" pelos outros) e, pasmem, cursá-la. Porque no final das contas, uma pessoa precisa escolher um emprego, e é a faculdade que vai servir de bússola - um sujeito não pode, digamos, decidir ser um "organizador de livros por ordem alfabética do sobrenome do autor e, dentro destes, por ordem cronológica". Não rola.
Existe também a questão da alma gêmea, da cara-metade, da heróica decisão de fazer sexo com apenas uma pessoa pelo resto da vida. Tipo, homens e mulheres TÊM que ou sair procurando alucinados pelo amor da sua vida ou EVITAR A TODO CUSTO qualquer coisa relacionada ao amor da sua vida, dizendo aos quatro Twitters que isso não existe. Simplesmente viver e eventualmente cruzar com uma pessoa especial, de forma natural, não faz parte da brincadeira.
Por essas e outras que eu acho curioso quando alguém diz "eu gosto de ter/quero ter controle sobre a minha vida". Como?
Ontem o U2, banda irlandesa que dispensa links da Wikipédia no texto, fez um show no Rose Bowl, em Los Angeles. Além de celebrar as ensandecidas defesas que Taffarel fez nos pênaltis contra os italianos, em 94, o show foi transmitido através do YouTube para 16 países. Isso mesmo: centenas de milhões de dólares em equipamentos foram transformados em uns e zeros e DISPARADOS contra as casas das pessoas.
Sendo eu fã da banda, desocupado e metido a jornalista, fiz no Twitter uma cobertura minuto-a-minuto do evento - sempre parcial e extremamente nonsense, claro. Cobertura essa que agora reproduzo aqui para os leitores (aham, como se fosse no plural, mesmo) que não me seguem no microblog:
- Por enquanto, apenas imagens do público. E do palco, que parece um TRANSFORMER.
- Troquei pra um link que um amigo mandou com fotos de cheerleaders loiras. Cheerleaders loiras > U2.
- Na expectativa pra ver se aparece alguém com a camiseta do Grêmio, como sempre.
- A propósito, #u2b seria um trending topic mais afu do que #u2webcast. Da próxima vez, deixem os nomes comigo, ok?
- Tem um cara com microfone dizendo que ajudou a montar o palco. Ele literalmente ARMOU UM BARRACO lá no show.
- E o sujeito usa uma POCHETE. Maior prova de que o U2 está voltando aos anos 80.
- Vi uma bandeira do Brasil. Dou três minutos pra começar alguma ação de guerrilha promovendo as Olimpíadas 2016.
- Será que o KANYE WEST vai aparecer junto com o Obama?
- Rá, Obama acaba de ser citado por The Edge. Na mosca.
- Agora estão mostrando o guitarrista numa van, e pelas imagens na janela, o câmera é MICHAEL MANN filmando Colateral 2.
- Acabei de ver um cara com uma camiseta do Nirvana. Esse vai ter uma decepção enorme quando ver qual banda vai subir no palco.
- Vai começar. Vejo vocês no final.
- A ISS é um BRINQUEDO DE LEGO perto desse palco, fato.
- BELÍSSIMO plano-sequencia mostrando a entrada de Larry no palco. Digno de P.T. Anderson.
- Alguém AUMENTA O VOLUME DA GUITARRA DO THE EDGE, porra!
- Aumentaram =D
- Bono acaba de FALHAR MISERAVELMENTE em um falsete durante Misterious Ways.
- Beautiful Day chutou a bunda de tudo e todos.
- Me atirei ao chão e chorei um OCEANO com Still Haven't Found / Stand by Me.
- Bono COMPLETAMENTE EM CHAMAS durante No Line. Cuspiu até a terceira fileira de pessoas enquanto cantava, fato.
- IN A LITTLE WHILE! IN A LITTLE WHILE! ADEUS, MUNDO!
- Apareceu um astronauta no telão. Provavelmente era o DONO do palco pedindo ele de volta.
- Minha nossa. Until the End of the World = FATALITY ABSOLUTO.
- De onde saiu essa COLMÉIA ELETRÔNICA durante The Unforgettable Fire? o.O
- Meus cinco sentidos foram ANIQUILADOS por Vertigo. Terei que assistir ao resto do show apenas com a INTUIÇÃO.
- Tão dispensável quanto o Robinho esse remix de I'll Go Crazy If I Don't Go Crazy Tonight.
- Acabou a primeira parte. Vamos ver se os ianques sabem cantar "Mais um, mais um!".
- O mundo não fica muito maior do que Where the Streets Have no Name.
- Bacana essa jaqueta LASER do Bono. Mas por que ele tá cantando em um VOLANTE DE AUTOMÓVEL?
- Ultraviolet ruleou demais. With or Without You idem. Bom ver que algumas canções continuam maiores do que o palco.
- Bah, Moment of Surrender. Que forma mais XOXA de encerrar o show. Tipo de música que o Puff Daddy cantaria
- Enfim, acabou o minuto-a-minuto. Vou dormir e rever tudo no u2b amanhã.
- E por favor, não me denunciem ao Sr.Twitter como flood, ok? Grato.